o lar     eu lírico    notepad     arquivo    carta    blogroll  




sábado, 13 de dezembro de 2025

quando o sonho me reconheceu ・*☆¸¸.•*¨*🌙•·˚ ༘ * 🔭


Eu estava na varanda de casa, de madrugada, falando com algo que não tinha forma definida, quando, de repente, do nada...

Isso é um sonho.

Fiquei parada por um instante, então, como em todos os sonhos lúcidos, pensei "O que posso fazer agora?"

 Resolvi tentar flutuar, porque costuma ser o mais fácil e rápido. 

No entanto, no começo não foi tão fácil. Me senti travada, como se o ar estivesse peso. Mas insisti. 

Aos poucos, meu corpo cedeu e eu subi, leve, atravessando o espaço até a cozinha. Enquanto flutuava, comecei a reparar nos detalhes e apurar minha visão, como uma lente de aumento e nitidez.

Na mesa, havia uma almofada de natal. Aproximei o rosto e senti a textura do tecido. Amassei com as mãos, encostei a cara, absorvendo cada sensação. Foi aí que pensei:

"Que incrível… nosso cérebro guarda as sensações e consegue reproduzir tudo depois."

Em seguida, flutuei para perto do fogão comecei a cantar hinos da minha igreja, no entanto, minha voz estava estranha. Rouca e fraca, quase não queria sair. Como se aquele som pertencesse aos dois mundos ao mesmo tempo. 

Fiz tanta força pra cantar que um pensamento atravessou minha cabeça:

"Será que eu tô tentando falar na vida real também? O meu marido vai se assustar."

Tentei seguir para o corredor escuro, mas não consegui. Era como se algo me segurasse ali. Fiquei flutuando perto do fogão, olhando de novo para a mesa, quando uma curiosidade surgiu:

E se eu tentar criar algo divino? Um anjo, talvez.

Veio à mente uma lembrança de algo brilhante, luminoso… mas não se formou por completo. Ainda assim, continuei flutuando, sentindo o tempo passar de um jeito diferente. Foi quando pensei com surpresa:

Nossa… esse é o sonho lúcido que eu fiquei mais tempo. Que legal que não tá acabando.

Depois disso, a memória se dissolve.


Ilustrações: Gemini, com base na minha descrição.

terça-feira, 18 de novembro de 2025

🌒 O Dia em que Ficamos na Terra

Às vezes, os sonhos parecem mais reais do que o dia que nos espera quando acordamos. Alguns são tão vívidos, tão cheios de simbolismos, que acordo com o coração apertado, como se tivesse vivido uma vida inteira enquanto dormia. 

Nessa última noite sonhei com o fim do mundo. 

Acordei dentro de uma casa que parecia a que morei no Brasil antes de vir para Portugal. 

O mundo tinha mudado. A maioria das pessoas havia simplesmente desaparecido, e os poucos que restaram pareciam viver entre a culpa e o espanto.

Meus pais estavam lá, melancólicos, com um olhar perdido sentados no sofá. Ninguém sabia o que realmente tinha acontecido, mas havia um silêncio espiritual pairando no ar, como se algo divino tivesse escolhido quem ficaria na Terra, e por quê.

Enquanto eu fazia comida e tentava acalmar meus pais, soube que haveria um culto da minha antiga igreja. Era como uma esperança, uma promessa de que talvez lá eu encontrasse respostas ou, no mínimo, conforto.

No caminho, passei diante de uma pequena formatura. Eram só dez pessoas, mas havia uma emoção viva, quase sagrada, no ar. As pessoas batiam palmas umas para as outras, como se estivessem tentando substituir todos os familiares e amigos que não estavam mais ali. Fiquei parada um tempo, observando. Era bonito. Triste, mas bonito.

De repente, o sonho mudou.

Estávamos na praia. O sol se punha entre nuvens densas e o ar cheirava a sal e dúvidas. Havia quiosques e uma nave gigantesca, parecida com um dirigível, que levaria os sobreviventes para outro planeta, já que aparentemente, a Terra estava morrendo.

Alguns estavam prontos pra ir. Outros, não.

Muitos se recusavam a embarcar, dizendo que a Terra não acabaria, que era tudo conspiração, enquanto outros diziam que não queriam deixar o lugar onde nasceram. Era um dilema humano e teimoso: ficar naquilo que se conhece, mesmo que tudo esteja ruindo.

O novo planeta se chamava Urso Polar. Lá, o ar era diferente, e as pessoas que antes hesitavam agora começavam a chegar. Vi meus parentes, amigos, rostos conhecidos. A alegria era silenciosa, como um reencontro depois de uma longa dor. As vezes, esperava algumas pessoas chegarem, mas que não apareciam.

Em algum momento, voltei à Terra.

Eu estava no quintal do prédio onde cresci, recolhendo coisas de uma cômoda antiga. Uma criança me observava de longe. 

Depois voltei à praia, onde os quiosques ainda estavam de pé, e tentei convencer mais gente a embarcar, como a Mónica, minha amiga do trabalho, que descia as escadas com expressão indecisa.

O sonho terminou ali, tão abruptamente como começou, e eu fiquei refletindo acordada, com a sensação de que, mesmo nos sonhos, o fim nunca é exatamente o fim.


sábado, 1 de novembro de 2025

(˶ᵔ ᵕ ᵔ˶)⸜(。˃ ᵕ ˂ )⸝♡ procurando pelo conforto e por sentimentos gentis



O outono chegou. 

E com ele temperaturas amenas muito agradáveis e uma rotina muito corrida também.

Tenho passado por dias que flutuam entre a picos de ansiedade e falta de ar com dias de apatia e sentimentos melancólicos. Ao mesmo tempo, tenho tido momentos no dia em que consigo enxergar coisas que me fazem muito feliz e de coração aquecido em meio ao caos interno.

 
Ao observar algumas pessoas (e ver que elas conseguem ser constantes em coisas que gostam e nos seus passos no dia a dia) só me fazem sentir cada vez mais em desespero por sentir tanta dificuldade em seguir e finalizar um ciclo de 24h, principalmente entre o período das 11h30 até as 16h30 [período desconfortável pra mim]. Não sei o que tem nesse horário, sinceramente. Não sei se é muito claro, muito barulhento, se é o horário que meu filho tem mais energia e demanda muito de mim ou  se é o horário que a casa está um caos e eu preciso por em ordem. 

Talvez seja tudo isso.

Acho que a palavra que mais me define atualmente é: cansada. Me dói as costas e o corpo, sinto muita vontade de deitar e dormir o tempo inteiro, e infelizmente apesar de saber que alguns hábitos iriam melhorar essa situação (como hidroginástica, exercícios leves e terapia recorrente,) é difícil conseguir tempo para tudo.

Atualmente estou em um emprego muito bom, que me permite ter minha mesinha com minhas coisinhas e ficar a maior parte de tempo escrevendo (lá de manhã bate um solzinho muito bom).

Em alguns momentos, preciso fazer atendimento telefónico, mas pelo bem da minha sanidade mental tento escolher temas que provavelmente não vou me estressar tanto (já que conseguimos ver qual a linha que a pessoa escolheu) e pessoas mais novas (não me levem a mal, é que pessoas mais velhinhas tem dificuldade em entender o português do Brasil). 

Apesar de ser um ótimo emprego, levo aproximadamente 2 horas para ir e para voltar (porque fica em Lisboa. eu moro em outra cidade).

Quantos parênteses •̀⤙•́ 

Esses últimos tempos, justamente no trabalho, desloquei o joelho, enquanto jogava um papel no lixo no banheiro. Foi uma sensação muito bizarra. Vieram me ajudar e nesse meio tempo eu consegui (não sei como) colocar no lugar, no entanto, ficou muito dolorido e seguiu-se agora já duas semanas de consultas, exames, remédios, muletas e meias de compressão.

Estou um pouco melhor agora e fiz uma ressonância do joelho. Estou ansiosa para ver o motivo disso ter acontecido, até porque, deve mostrar pelo menos um resquício de tantas dores no corpo, que eu pretendo verificar melhor daqui pra frente.

No fim das contas, a vida tem se mostrado muito difícil pra mim nos últimos anos, mas felizmente acho que finalmente tenho conseguido ver beleza em pequenas coisas do dia a dia.

Vou tentar ser mais ativa aqui, nem que seja postando apenas minhas fotografias ou sonhos do dia a dia (: