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terça-feira, 9 de julho de 2024

tentando achar o caminho de volta pra casa ‧₊˚ 🍮 ⋅ ☆

It's been 10 years.  You start to forget the things you should remember, and cant stop remembering the things you should forget.


Quando vou buscar meu filhinho na creche tenho muito gosto em registrar as coisas bonitas que encontro pelo caminho. Mesmo já não estando na Primavera encontro muitas e muitas flores bonitas aqui em Portugal, e sempre observo muitas flores que nunca tinha visto no Brasil. 

Algo que sempre apreciei, mas ultimamente mais ainda, é caminhar sozinha enquanto ouço alguma música ou podcast. Ao longo do tempo fui apreciando cada vez mais a solitude do caminho que percorro e do meu próprio coração. As vezes internamente é um lugar muito sombrio pra se estar, mas tenho feito o possível pra que possa também se tornar agradável e acolhedor enquanto consigo.

Me encolhi dentro da minha concha. 

E está seguro aqui.

Enquanto volto pra casa todos os dias, tenho tentado achar o caminho de volta pra casa. Tudo tem mudado tanto nos últimos anos... sinto-me uma criança assustada na maioria das vezes. Tenho tanto ainda o que curar...

E se eu permancer dentro dos sonhos? Dentro do cochilo da tarde?

𓆝 𓆟 𓆞 𓆝 𓆟

Meus podcasts favoritos pra escutar na volta pra casa são Mundo Freak Confidencial e Caso Bizarro, mas tenho uma playlist pra compartilhar com os meus episódios favoritos de podcasts que já escutei (a maioria são de terror, casos insólitos e mistérios pra variar).

Abaixo deixo alguns registros de uma árvore com florzinhas lilás muito bonitas que me fizeram muito feliz na volta pra casa.






Até breve ૮ ˶ᵔ ᵕ ᵔ˶ ♡

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quinta-feira, 27 de junho de 2024

☾ When We All Fall Asleep, Where Do We Go? ☽


Desde que decidi voltar a usar o blog tem sido semanas muito intensas internamente.
 
Antes de me descobrir autista (e até mesmo depois) nunca achei que eu já havia possuido um hiperfoco. Isso mudou drasticamente no dia em que comentei sobre isso no meu grupinho do whatsapp (de meninas gentis com diccção duvidosa) no qual minha amiga Mika prontamente me respondeu "panda, você acabou de me contar toda a cronologia da teoria da conspiração da Poppy, Mars Argo e do Titanic Sinclair". Eu fiquei de cara no chão? Não sabia que tinha contado tantos detalhes sobre isso e comecei a rever as teorias de conspiração e casos insólitos que eu mais gostava e encontrei aí o meu hiperfoco que me acompanhou a vida inteira. 

Desde muito pequena sempre fui obcecada em casos ufológicos, teorias de fim do mundo e meus canais favoritos sempre foram o History Chanel e o Syfy. Lembro-me com 15 anos na véspera de natal assistindo documentários sobre o Apocalipse Maia aterrorizada perguntando pro meu pai se podiamos ir pra algum esconderijo. Assim como lembro-me muito bem de por volta dos 9 anos estar com minha amiga de infância na área de serviço do meu apartamento da época tentando ouvir o show dos Jonas Brothers no Estádio do Morumbi e ficando em choque ao ver que duas estrelas que estavamos observando simplesmente se afastaram uma da outra e foi cada uma pra um lado. Acho que foi a primeira vez que avistei OVNI's e depois disso comecei a me interessar muito por esse assunto (até hoje não sei o que era).

Quando a Mika me falou isso me lembrei de quando conheci a creepypasta das Backrooms e fiquei 1 mês fissurada nisso (minha for you do tik tok só tinha vídeos das Backrooms). Dando o contexto: é uma creepypasta que conta sobre
"os bastidores da vida" que seriam uma série de "níveis" que estão localizados onde não conseguimos alcançar, como se fosse uma glitch de um jogo e onde acontecem a "programação da vida". Meio show de Truman talvez? Só que mais macabro. Alguns níveis tem criaturas e todos são infinitos de um jeito extremamente desconfortável. Mas pretendo trazer isso pra cá mais frente. O fato é: eu tenho hiperfoco em assuntos macabros, casos insólitos, teorias da conspiração e quando me toquei disso minha cabeça explodiu (não literalmente). Eu sabia que gostava dessas coisas mas nunca parei pra reparar no nível de interesse que eu ficava nesses assuntos e no nível de detalhes que eu me permitia adentrar por meses. 

Esse assunto das Backrooms me chamou atenção primeiro porque eu sempre tive um sentimento muito estranho com alguns lugares. Alguns lugares (principalmente a noite) mais vazios ou especificos me davam uma sensação que só havia sentido em sonhos. Com o conhecimento das Backrooms também conheci o termo "Liminal Spaces" que explicou muito claramente o sentimento que eu tinha com esses lugares. Um exemplo muito vivo foi um dia em 2016 que fui em um fórum com a minha mãe e na procura por um banheiro fui parar em um andar com um longo corredor com várias salas completamente vazio. Tudo muito limpo mas completamente vazio e silencioso. Tive uma sensação de irrealidade que me acompanharia muito tempo, já que por começar nessa época a passar por problemas muito difíceis, iria permancer muito mais dentro dos sonhos e da minha cabeça do que do lado de fora. Foi mais ou menos nessa época que conheci "O Dicionário das Tristezas Obscuras" que é uma coletânea de palavras criada  por um artista chamado John Koenig que tentam "traduzir" sentimentos e emoções que não se consegue explicar.  Diante de várias palavras interessantes, uma me chamou a atenção:

Kenopsia 
A atmosfera misteriosa e desamparada de um lugar que normalmente está cheio de gente, mas que agora está abandonado e quieto.
Por muito tempo foi o que melhor descreveu esse sentimento estranho. Hoje em dia sinto ele mais amplo e não necessariamente pra um lugar que anteriormente haviam muitas pessoas e agora não tem ninguém (como um pátio de escola).


Depois de descobrir as Backrooms conheci também os termos "dreamcore" e "nostalgiacore".

꒰ Antes de ler dá play aqui ꒱


Dreamcore: "como o próprio nome já sugere, está relacionado aos sonhos e à nossa imaginação. O estilo combina elementos dos sonhos com uma estética que pode ser descrita como suave, e etérea, marcada por tons neutros, elementos da natureza, animais e casas."

  • Esse me pegou muito porque desde sempre meus sonhos foram muito importantes pra mim. Sempre visitei locais que me fazem ter uma sensação muito única que só senti neles, além de lugares que visito e revisito e existem apenas dentro dos meus sonhos. 

Nostalgiacore: É a estética que se concentra em imagens que remetem a memórias, exatamente como quando tentamos lembrar de alguma coisa que vivemos tem muito tempo. Muitas relacionadas a locais que parece que visitamos anos atrás como uma loja Blockbuster por exemplo, ou itens da infância como brinquedos, programas de TV e etc. 

  • Tenho um sentimento muito especial com a minha infância. Cresci em um prédio no 11 andar onde vivi as memórias mais importantes da minha vida. Fiz duas amigas que levo até hoje, brinquei de muitas brincadeiras relacionadas a imaginação numa época em que se usava muito pouco a internet (quando se usava era o orkut, msn, jogos de vestir roupa e do club penguin). Lembro de dias chuvosos sentada no hall do prédio jogando jogos de tabuleiros. Pra mim isso tudo é tão forte que em sonhos volto pra lá várias vezes por ano.
    Estranhamente, a sensação de nostalgia também aparece com coisas que não me lembro de ter vivivo, como por exemplo quando vejo um escritório dos anos 80. Sinto como se já estivesse estado por lá.
Outra coisa relacionada a isso tudo são alguns vídeos que tem no tik tok da Eastern Europe (locais vazios na Polônia, Russia, Ucrânia e etc) que por algum motivo dão uma sensação muito estranha nas pessoas?

O resumo do soneto é: eu tenho hiperfoco em assuntos de maluco (brincadeira).  Fora assuntos de arrepiar a espinha, os hiperfocos mais intensos que já tive foi com a série Riverdale (ah que ficou ruim depois da terceira temporada, sim concordo), com a atriz Lili Reinhart e com o ator Bill Skarsgård (que foi o motivo de eu ter começado esse post já que ocupou minha mente por longas duas semanas). Apesar de ser interessante gostar muito de um assunto e ficar fissurada nisso, ao mesmo tempo alguns problemas surgem junto com ele:
  • Você não consegue focar em absolutamente nada que não seja aquele assunto. Então provavelmente sua qualidade no trabalho/estudos vai cair bastante e no seu convivio com pessoas que você gosta também porque você só consegue pensar no assunto da vez.
  • Quando o hiperfoco acaba você sente falta daquela sensação de ficar muito animado com um assunto. Você quer sentir aquilo de novo mas não consegue. 
Pretendo trazer postagens mais detalhadas sobre as Backrooms, Liminal Spaces, Dreamcore e Nostalgiacore. Tenho muitas histórias pra contar. Por hoje, é tudo.

E vocês, já se viram muitos loucos num assunto específico? 

quinta-feira, 6 de junho de 2024

por entre muita ansiedade e muitas xícaras de café


Tudo mudou tanto desde a última vez que postei nesse blog. Não devo dizer que me sinto surpreendida, pois em 27 anos de vida sinto como se tudo ao redor sempre se mostrou ser um grande redemoinho de mudanças e inconstâncias (algumas boas e outras que me custaram alguns traumas e tremedeiras). 

Talvez pudesse escrever essa postagem depois, em um momento mais tranquilo, mas a realidade é que nos últimos anos (principalmente nesses últimos meses) me sinto tão cansada que os "volto depois" tem se mostrado serem vazios e ausências da minha parte.

A vida tem se mostrado inquieta tanto no lado de fora como no lado de dentro já fazem muitos anos, e por tantas vezes senti que não me reconhecia mais. Por muitas vezes me questionei onde eu fui parar, onde me perdi no caminho e o que deixei pra trás. A realidade é que bem sei onde parte de mim ficou, e superar o luto de mim mesma não tem sido fácil.


Já tem muito tempo que tenho vontade de voltar a postar por aqui, mas sinceramente nos últimos anos tem sido difícil encontrar um tempo livre onde posso me dedicar por completo a coisas que gosto e me sinto feliz. Em alguns momentos, parece que só havia espaço pra obrigações e demandas do dia a dia. Todavia, as coisas tem aos poucos me mostrado calmaria. Meu bebê tão dependente de mim fez 2 anos em Fevereiro (é, eu tive um bebê) e agora já permite que eu faça uma coisa ali e outra acolá enquanto consegue se distrair sozinho. Lembro-me do puerpério e dos "terríveis" 1 ano (como chamo, pois apesar de se referirem assim a fase de 2 anos, foi na fase de 1 ano que eu adquiri uns 3 cabelos brancos e muito mais sensibilidade sensorial).

Recebi o diagnostico de autismo no fim do ano passado e desde então tem sido uma jornada que flutuou por entre o choque, a reflexão profunda de uma infância muito solitária, dor pela minha criança negligênciada, medo da reação de amigos e família pelo diagnóstico tardio, e pensamentos de como posso seguir a partir de agora. Sendo bem sincera, tirou-me um peso das costas tão gigantesco que em alguns momentos só sei chorar e gritar internamente. Como ser ouvida? Como ser respeitada enquanto individuo que precisa de suporte em meio a sociedade? Tudo tem estado no meio de uma transição muito profunda, mas que levo com cuidado e paciência.

Em meio a dor, as cicatrizes, as memórias incessantes, os pesadelos noturnos que visitam-me constantemente, tento me refazer com cacos que sobraram daquilo que já fui e com pedaços novos que estou aprendendo a encontrar pelo caminho.




Me mudei pra Portugal em Outubro de 2022 e apesar de muitas experiências enrriquecedoras, nunca imaginei ser possível serntir tanta falta de casa. Me faz falta desde o canto do bem-te-vi até o risole de pizza + suco de maracujá com leite que me esbaldava no trailer próximo ao meu antigo trabalho (aqui só encontro risole de bacalhau). Apesar da saudade que rasga o peito, sei que sentirei muita falta das memórias que vivi aqui quando essa jornada chegar no seu fim. Os bondinhos amarelos, sumol de laranja, pastéis de nata... 



Em alguns momentos pude sentir como se houvesse uma pedra muito pesada em meu coração que me levava constantemente para baixo. Oscilei entre crises de ansiedade terríveis e muita falta de ar e semanas deprimidas onde me resguardava em uma pequena nuvem cinza e fosca. De um mês pra cá pude sentir essa nuvem se desvanecendo, e aos poucos me permiti colocar o rosto pra fora e sentir um pouco de sol.


⁛ coisas boas que me aconteceram nos últimos meses ⁛

  • Consegui costurar algumas roupinhas do meu filhinho e fazer ajustes. Eu sempre quis aprender a costurar, bordar, fazer crochê, tricô e biscuit. Sou muito apaixonada por arte no geral mas nos últimos anos tenho sentido um bloqueio enorme pra começar a realizar alguma atividade que leva tempo, concentração e silêncio. A fase de até 2 anos de um bebê é muito complicado, meus amigos.
  • Me reaproximei de amigas do antigo the fairy garden society (infelizmente havia alguns anos que não conseguia mais conversar com tanta frequência com ninguém) e nunca me senti tão amada como nos últimos meses. Minhas amadas Deb, Nina, Mika, Brie (que não era do TFGS mas conheço a bastante tempo) e a Pri. Conheci também novas amigas, minhas queridas Hay e Gabi ♡
  • Comprei um abajurzinho de madeira com luz aconchegante pra colocar na minha mesa e me inspirar a ter mais momentos produtivos fazendo coisas que me fazem feliz e havia deixado de lado.
  • Aprendi a ressignicar momentos difíceis e começar aos poucos a cicatrizar o meu coração.
  • Descobri o autismo e com ele se abriu um leque de respostas pra tantas dores internas e físicas e puderam me dar uma direção de pra onde ir e onde buscar ajuda.
  • Conheci a área de QA (testador de software) pela minha Deb e me apaixonei pela área. Tenho estudado e tem me dado uma boa perspectiva depois de me sentir tão perdida.
  • Ganhei um notebook da minha amiga Mika após o meu quebrar e sinceramente não imaginava poder ser amada dessa forma por quem se permitiu me amar mesmo de tão distante.
  • Apesar de ainda não ter uma câmera profissional, atualmente estou com um celular (agora a voz coça pra falar telemóvel, desculpem) com a câmera muito boa no qual tenho conseguido tirar fotos muito bonitas.




Ainda tenho muito pra falar e mostrar, mas por enquanto me despeço. 
E dessa vez, prometo que voltarei, muitas e muitas mais vezes...